The Community Map
  • Bom Dia

    A ideia em baixo descrita foi apresentada aos responsáveis do projecto TH e aceite pelos mesmos. Convido a quem achar o projecto interessante a contactar-me para começarmos a fazer obra. 

    Sempre que o projecto Community Map foi apresentado em determinado espaço surgiu sempre uma comparação com projectos 'semelhantes' existentes, por exemplo, com o projecto A Minha Rua ou com o LXAmanhã, que até se aproxima um pouco do que se pretende do C.Map mas que peca bastante por colocar o ónus da acção nas mãos da Câmara Municipal e por os projectos idealizados serem pouco pensados, generalizados e até muito ambiciosos.

    O que se pretende com o C.Map é reforçar a participação do cidadão e da sociedade civil na gestão da sua comunidade - lugar, bairro, freguesia, cidade - através de uma fiscalização simples e constante do território, aliada à interacção entre membros com o intuito de 'obrigar' o município alvo a resolver rapidamente e eficazmente os problemas apontados. Em poucas palavras, pretende-se inverter o sentido do Big Brother em que nós, sociedade, é que controlamos as pessoas ligadas ao poder (gestão) e os seus actos.

    O projecto representar-se-ia num website com o mesmo do estilo do Open Street Maps (OSM) ou do GeoDevolutas, um site apelativo, bonito e intuítivo capaz de chamar as pessoas, em que o utilizador escolhe uma determinada rua e através de um botão-ferramenta marca o problema encontrado (variando o ícone com o problema), um buraco na estrada, vidros partidos, falta de passeios, dejectos no chão, falta de jardinagem entre muitos outros problemas urbanos tão comuns em Portugal. Este cartografar dos problemas e sobretudo, o seu acumular (em Portugal não é difícil encontrar um acumular de problemas em espaços físico ou temporais pequenos), tem que visualmente ser estimulador de indignação e ao mesmo tempo de captura eficaz da realidade para levar o utilizador a querer saber mais, a querer agir e a querer a resolução dos problemas.

    Aos utilizadores são fornecidos ferramentas para interagir com os seus pares e, muito mais importante, para conseguir agir perante as autoridades, para as pressionar e obrigar a resolver os problemas sob pena de consequências, desde políticas a legais. Essas ferramentas poderão ser: petições, juristas, advogados, jornalistas, as próprias instituições públicas e outras comunidades cívicas, tudo englobado numa rede social ou fórum que possibilite trocar  ideias, criar soluções, reunir pessoas, organizar protestos e manifestações, intervir legalmente e noticiar ao país o que vai de errado na comunidade, com o objectivo já previamente definido de conseguir uma rápida e eficaz resolução dos nossos problemas, não só com fim ao bem-estar próprio e da comunidade mas também como uma primeira forma de controlar um pouco o destino e a gestão dos nossos impostos. Se há uma vigilância apertada sobre a gestão municipal por parte da comunidade o dinheiro será (em princípio) melhor gerido.

    Numa nota mais pessoal, quero dizer a todos que ainda acredito em mudar o mundo e acalento essa vontade há muitos anos, sem querer proveitos e sem querer almejar outros voos. Acho que nós, enquanto sociedade, podemos e devemos participar mais naquilo que nos diz respeito e este projecto, apesar de lidar com aspectos meramente (e minimamente) urbanos pode ser um primeiro passo para algo mais complexo e fundamental mas que ainda (na minha opinião) não está ao nosso alcance, cabendo a nós (e eu incluído claro) aprender a explorar o triângulo web 2.0 - sociedade - poder político.

    Qualquer dúvida, esclarecimento, correcção, ideia nova, argumento contrário por favor exprimam.

    Marcos Correia

  • Olá Marcos,

    Antes de tecer comentários preciso só de destacar que não há "responsáveis" do THD nem se "aceitam" ou aprovam projetos -- cada pessoa decide o que quer fazer e como, e o THD serve como ponto de ligação entre todas as pessoas interessadas na transparência, informação pública e usos emancipatórios da tecnologia. Aliás, quem nos dera se a nossa concordância bastasse para um projeto existir :-)

    Creio que o próximo passo é especificares, em termos mais concretos, o que é preciso para irmos deste esboço até um site funcional online:
    • existem projetos do género que possam ser aproveitados? É mil vezes melhor partir de algo existente do que começar do zero e reinventar a roda, que quase resulta em projetos incompletos e consequentemente abandonados. Sugiro que vejas o Fixmystreet, que tem o código fonte totalmente disponível e parece precisar apenas de ser traduzido e adaptado. Também houve um grupo que propôs e começou a trabalhar num projeto muito semelhante no último hackday em Lisboa. O Ushahidi também é uma plataforma pronta a usar para casos como este (como é exemplo o Mila).
    • quais são as tarefas concretas a executar? Produção de texto? Administração de servidor? Procura de alojamento? Especificar tudo isso é importantíssimo para conseguir chegar de A a B, e sobretudo para conseguir delinear desafios concretos que, por sua vez, podem ser assumidos individualmente por quem queira colaborar.
    • que género de aptidões técnicas são necessárias para a infra-estrutura do site? Que género de apoio técnico precisas? Quanto mais específico puderes ser, mais facilmente encontras alguém que possa ajudar a resolver determinado problema.
    • qual é a funcionalidade mínima necessária para uma primeira versão do site? Tentar construir tudo desde o início é caminho certo para o fracasso -- é importante lançar rapidamente uma versão inicial, mesmo que incompleta ou com partes que não funcionem. O primeiro objetivo deve ser esse: fazer sair algo o mais rapidamente possível, e tratar de melhorar e acrescentar a seguir. O lançamento público é a melhor forma de atrair pessoas para o projeto.
    • o que acontece depois de lançar o site? É preciso ajuda para a edição de conteúdos e eventual moderação?
    Dá trabalho, mas esclarecer o melhor possível estes pontos costuma ser a grande diferença entre um projeto que arranca e um que fica no papel (ou no .txt :)
  • Olá,
    Foi apresentado um projeto semelhante no Hackday organizado em Lisboa (ou será o mesmo?). Na altura falou-se de utilizar o Local Wiki (http://localwiki.org/), que já existe aplicado ao Porto (Por.to), apesar de desconhecer quem é que gere esse projeto.
    Eu estou a trabalhar com o Ushahidi no Mila, como foi mencionado e estou bastante satisfeito com as funcionalidades. Comecei com o crowdmap (em mila.crowdmap.com) que te permite criar mapas e introduzires dados sem teres que instalar nada no pc ou preocupar com alojamentos e essas coisas. Dá para os utilizadores criarem alertas, para serem avisados de ocorrências próximas da área de residência, por exemplo, e é muito fácil introduzir dados com smartphone a partir da app do Ushahidi. Tem uma grande desvantagem que é a tradução para português estar ainda muito incompleta. Dando uma vista de olhos, podes notar que o Mila ainda tem uma misturada de português e inglês. Por isso saquei o código fonte e comecei a traduzir manualmente o site. Espero lançar a nova versão em breve. Se optares pelo Ushahidi, eu posso partilhar contigo o ficheiro com as traduções que fiz, apesar de algumas estarem muito direcionadas para aquilo que eu preciso no Mila. Já submeti algumas no programa de tradução oficial deles e enviei um e-mail a dizer que estava disposto a ajudar em mais traduções, mas não obtive nenhuma resposta até agora.
  • Boa Noite

    Obrigado pelos comentários e perdoem-me a ausência mas não tem sido fácil com o trabalho.

    Eu infelizmente não possuo conhecimentos da área por isso faço uma reduzida ideia do que é necessário para criar o site que sugeri. Daí ter recorrido a esta plataforma para ajuda.

    Já agora, como andam os outros projectos semelhantes?

    Abraço
  • Se tens poucos conhecimentos, o melhor é mesmo experimentar uma estrutura já criada e gratuita, como o Ushahidi, para começar. A partir daí, vais conhecendo a estrutura e ver o que melhor se adapta ao que pretendes.
    Para além do Ushahidi,podes experimentar o Wordpress com o Leaflet MapMarker ou o Local Wiki.
    Eu próprio não tenho grande experiência, por isso a dica que dou é mesmo: começar a experimentar, ver o que funciona e ir aprendendo. Não planeies demasiado sem ires experimentando.
    Quanto aos projectos, o Mila também anda a passo de caracol (com emprego e pouca experiência é normal), mas já tenho as traduções de tudo o que será visível no novo site terminadas, só falta trabalhar no design e colocar a nova versão online. Mais difícil a partir daí penso que será fazer com que o pessoal colabore e introduza dados.

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